(86) 3233-8039(86) 3232-2459(86)98876-8647

Blog

SUICÍDIO: Causa, Sintomas e Tratamento

 Falar em SUICÍDIO é bastante delicado. Ao mesmo tempo em que é preciso ter cuidado ao julgar esta palavra, seu debate torna-se cada vez mais importante para a nossa sociedade.

Este tema tem sido falado cada vez mais nos ambientes do nosso cotidiano, apesar de por outras vezes ser um assunto velado. Por conta dessa falta de clareza sobre o tema e sobre o acontecimento em si, a falta de informação também se torna outro problema para a sociedade. Sem contar, na dificuldade que a pessoa que já tentou cometer suicídio tem de falar sobre o assunto

O Brasil tem registrado grande número de mortes por suicídio, principalmente entre os jovens. De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde, a taxa de mortes causada por suicídio, aumentou 60% nos últimos 50 anos, aproximadamente 1 milhão de pessoas tiram a própria vida todos os anos, sendo 01 ocorrência a cada 30-40 segundos, sendo esta quantidade superior às mortes em guerras e genocídios e outros tipos de violência.

São 2.740 suicídios por dia, 114 por hora. Na faixa etária de 15-44 anos o suicídio tem o 3° lugar de causa de mortalidade no mundo; Na faixa etária de 10-24 anos, o suicídio ocupa o 2° lugar de mortalidade mundial. A cada 10 tentativas, 1 consegue êxito neste intuito. Tratado como tabu, mas não deveria ser assim, pois é um problema de saúde pública em que a prevenção deve ser a solução do problema, a população deve ser participativa junto às políticas públicas para o debate do problema.

Existem variáveis psicológicas que facilitam o ato suicida. Essas variáveis são de origem cognitiva, afetiva e/ou comportamental e são passíveis de serem modificadas por meio de intervenções psicoterapêuticas focadas. Ou seja, as psicoterapias que seguem uma abordagem mais objetiva como a psicoterapia comportamental e cognitivo-comportamental.

A seguir, seguem cinco classes de variáveis psicológicas que são consideradas:

         Desesperança: altos níveis de desesperança que acontece frequentemente, independente do nível dos sintomas depressivos, costumam estar associados com altos níveis de intenção suicida.

         Cognições relacionadas ao suicídio: a simples ideia de se matar e/ou a intenção podem ser preditores de tentativas e mortes por suicídio.

         Impulsividade aumentada: este fator de vulnerabilidade pode fazer parte da própria personalidade do indivíduo, sendo considerada um traço, caracterizando-se por uma ênfase no presente, rápida tomada de decisão, falha em considerar as consequências de suas ações, desorganização e/ou incapacidade de planejar.

         Déficits na resolução de problemas: o fato do indivíduo ter dificuldade em vislumbrar alguma outra saída para as circunstâncias de sua vida, pode facilitar o ato suicida.

         Perfeccionismo: esta dimensão interpessoal que envolve percepções da própria necessidade e habilidade de atender aos padrões e expectativas impostos pelos outros também facilita o ato. O perfeccionismo costuma gerar estresse acentuando a aversão ao estresse ou ameaça, ou focando a atenção do indivíduo em falhas ou fracassos ao invés de focar nas suas capacidades e sucessos.

Tratamento

O tratamento é composto por técnicas e estratégias de enfrentamento a esses esquemas de forma objetiva, devido ao alto risco que o paciente corre com esses esquemas. E por muitas vezes, existe a necessidade de intervenção de fármacos para o sucesso do tratamento.

O que fazer quando identificar sinais de risco?

Se veio até aqui porque desconfia que um amigo, um familiar, ou um conhecido seu poderá estar a pensar em suicídio, ou que inclusive já fez uma tentativa de se suicidar, e não sabe como o ajudar, existem várias coisas que pode fazer por essa pessoa. Se reconhecer os sinais que descrevemos, aqui estão algumas indicações do que poderá fazer:

  • Em primeiro lugar, ser um bom ouvinte é essencial – simplesmente oiça,com toda a atenção, não apenas os factos, mas a sua dor, medos e ansiedades. Não julgue, nem dê conselhos ou opiniões.
  • Reconheça o seu sofrimento, valorize o que é dito e demonstre que está disponível para a ajudar. É fundamental que essa pessoa saiba e sinta o quão importante ela é para si, que a sua vida tem valor para alguém e que a sua dor emocional é compreensível e aceitável face às suas vivências presentes.
  • Demonstre empatia – procure compreender as coisas não do seu ponto de vista, mas segundo o ponto de vista do outro.Não faça comparações.
  • Se essa pessoa que o preocupa não falar abertamente do que sente ou pensa, é importante que tome a iniciativa em conversar com ela. Diga claramente que se apercebeu que o seu comportamento mudou (especifique que mudanças específicas observou) e que está preocupado/a com o que possa ter causado essas mudanças.
  • Não mude de assunto, nem faça comentários do tipo “anima-te”, “vai correr tudo bem”.
  • Não hesite em questionar aberta e diretamente se essa equaciona a ideia de suicídio como uma opção válida. Pode dizer algo como: “Imagino que estejas a sofrer muito, que seja avassaladora a dor que sentes em função de toda esta situação. Estás a considerar o suicídio como opção?”, “Parecem ser demasiados problemas para aguentares sozinha. Pensaste no suicídio como fuga?”, “Alguma vez pensaste em deixar tudo?” Essas questões transmitem a mensagem de que existe alguém que compreende a sua dor psicológica e de que a pessoa não estão sozinha. Naturalmente, a abordagem a este tema sensível varia em função da situação e relação de confiança estabelecida.
  • É importante que a pessoa que pensa em suicídio saiba que a sua morte causaria sofrimento nas pessoas que a rodeiam, e haveriam pessoas que sentiriam a sua falta. Por isso, nunca é demais ter um gesto de carinho para com ela. Por vezes, a tentativa de suicídio pode ser um pedido de ajuda que se pode evitar se a pessoa compreender, antes de tentar terminar a sua vida, que existe alguém que gosta de si, se importa consigo.
  • Nunca deixe a pessoa sozinha se sentir que existe perigo de ela cometer suicídio, nomeadamente se lhe parecer que a mesma tem um plano concreto de suicídio e já tomou decisões para o pôr em prática. Incentive-a a pedir ajuda especializada (a um hospital, médico, psicólogo, ou psiquiatra) e retire da sua proximidade todos os objectos com que a pessoa se possa magoar. Se for necessário, chame uma ambulância, ou outro tipo de ajuda que possa ser pertinente, rapidamente.

Alguns mitos sobre suicídio

Mito: As pessoas que falam sobre o suicídio não vão realmente cometê-lo só querem chamar a atenção, não devemos dar importância.

Realidade: Não, é essencial estar atento ao que a pessoa diz – o facto de falar em suicídio é um sinal de alerta. É um pedido de ajuda, uma forma de comunicar o seu sofrimento, e não apenas uma chamada de atenção.É importante aceitar, compreender e valorizar o que a pessoa sente.

 

Mito: A pessoa que fala em suicídio quer mesmo morrer e está decidida a matar-se, independentemente do que façamos.

Realidade: Quando alguém fala em suicídio, é importante reconhecer a dor da pessoa, porque ela está a pedir ajuda e podemos ainda estar a tempo de a ajudar de alguma forma.

 

Mito: Quando alguém sobrevive a uma tentativa de suicídio, está fora de perigo.

Realidade: Na verdade, a existência de tentativas prévias de suicídio é um factor de risco que aumenta a probabilidade da pessoa tornar a tentar suicidar-se.

 

Mito: O suicídio é hereditário.

Realidade: Não existem estudos com resultados claros, e de facto a existência de suicídios na família pode ser um factor de risco a considerar. No entanto, existem muitos outros factores que interferem na tomada de decisão, não sendo a hereditariedade o factor mais determinante.

 

 

Referências:

http://oficinadepsicologia.com/depressao/suicidio

http://hypescience.com/depressao-e-suicidio-estao-entre-as-principais-causas-de-morte-entre-adolescentes/

http://www.marisapsicologa.com.br/pensamentos-suicidas.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Suic%C3%ADdio